Tipo férias, só que com fio

Ô delícia que é viajar, conhecer coisas novas e se desligar um pouco do mundo (leia-se “dos e-mails, do facebook”).

Foi isso que eu fiz em julho, “tipo férias” (mas na verdade sem o emprego, vulgo “desempregada”)! E você nem imagina no tanto de coisa que entrou pra lista de posts deste blog!

Estive no litoral de São Paulo, em Bertioga, numa praia muito diferente da que temos aqui no Rio. Lá o milho não é vendido na espiga, nem embrulhado na palha e tal. Eles soltam o milho todo e colocam num pratinho para você comer com um talher. Finos, não? Ninguém fica com milho entre os dentes. Eu admiro os bons modos mas gosto mais é de finalizar o milho com aquela chupada sonora no caldinho que fica dentro da espiga (sério, reescrevi a última frase umas 8 vezes porque tá cheio de homem lendo este blog).

Desde que fui lá pela primeira vez, há uns 10 anos,  nunca vi redes de futevôlei, duplas de frescobol, nada disso. Mas olha que coisa mais curiosa: já vi redes de tênis! A areia é tão batida que dá até pra passear de bicicleta na beira da água (isso é quase tão bom quanto poder cavalgar na praia, como fazem no nordeste).

Fora as curiosidades da praia em si, é quando estou em família que eu como o melhor churrasco. Tirei a barriga da miséria! Também me esbaldei com o melhor pão recheado que eu já comi na vida, feito pela minha tia. Isso tudo sem contar com a nossa tradicional Festa Julina (ou ” Festa da Julina”, como dizem as crianças) e todas as gostosuras que preparamos juntos. Quentão, cachorro-quente, churrasquinhos, doces de todas as espécies… Só de pensar sinto a barriga pesar.

A segunda parada foi na Bahia, numa cidadezinha chamada Santo Antônio de Jesus. Meu rei, isso fica umas 2 horas distante de Salvador e não tem muita coisa lá não, mas tem meu irmão, minha cunhada e meus sobrinhos. Fui conhecer o menorzinho, que fez 2 meses e veste roupa para 1 ano. Menino forte, esse!

Julho é aniversário da minha sobrinha, quase sempre vou lá dar um beijinho nela nesta época do ano. Teve uma festa linda de morrer, dessas que as pessoas perdem a compostura porque ficam de-so-ri-en-ta-das com os doces, com as lembrancinhas, com a decoração – esse assunto ainda vai render um post, aguarde.

Meu irmão cozinha muito bem. Aliás, muito melhor do que eu! Ele é todo gourmet e cheio de nove horas com as comidas que prepara. Me apareceu com uma “carne de bode, só que fêmea” – ele disse que só abatem as fêmeas (é isso, produção?). Aí levantou-se uma profunda discussão familiar sobre o nome da mulher do bode. Olha, vou te falar… Tive bastante contato com a natureza na infância mas confesso que fico confusa com “bodes”, “cabritos”, “cabritas”, “cordeiros” etc. Bom, tudo ficou claro quando coloquei a carne na boca.

Que meu irmão não me leia nunca, mas eu identifiquei o nome da fêmea do bode no instante em que coloquei a carne na boca. CABRA! Eu odeio queijo de cabra mais do que qualquer outra coisa no mundo, não suporto de jeito nenhum! O sabor era aquele mesmo, um que me faz sentir o cheiro do animal no pasto, meu pai!! E meu irmão tinha comprado aquela carne sei lá onde, coisa de difícil acesso, cheio de histórias, todo bonitinho… A esganada aqui tinha caprichado no prato, porque nunca pensou nem de longe que a cabra iria aparecer na boca “vestida de outro jeito”. Aff! Mas amor de irmão é amor de irmão. Para não deixar o cozinheiro frustrado, comi tudo até o fim. Há quem diga que eu  me condenei com a cara que fiz no momento da minha constatação, mas acho que me saí bem. Nem preciso dizer que fiquei conversando com aquela carne durante algum tempo, né? Mas reconheço que estava muito bem feita e macia. Todas as outras pessoas gostaram muito e, para quem não tem essa restrição a cabras, recomendo!

Foi também lá em Santo Antônio que eu experimentei a carne de avestruz pela primeira vez. Fomos convidados para jantar na casa de um amigo do meu irmão, criador de avestruz. Afemaria, que carne boa! Queria que vendesse no mercado aqui no Rio para eu comprar toda semana. A gente logo pensa que vai comer alguma coisa parecida com frango (né?) mas a textura é de um filé mignon. Tem um sabor marcante, delicioso! Os pratos foram preparados pela mulher dele: avestruz com molho sugo e outra versão com molho de mostarda e queijo (acho que era isso mesmo); omelete de ovo de avestruz (equivalente a 24 ovos de galinha) com um recheio de calabresa; “sarapatruz”, sarapatel de avestruz (que é um prato com os miúdos do animal). Tudo uma delícia! Pena que não foi possível ver a comida muito bem porque ficamos sem energia e o jantar foi à luz de velas. Uma aventura, experimentar uma carne nova sem vê-la – ainda mais depois da história da cabra. Mas valeu muito a pena.

Meu irmão, te amo!! (Caso ele tenha lido minha confissão)

Ele também fez camarão na moranga. É tão fácil, preciso ensinar isso aqui!

Não tirei nenhuma foto dessas coisas todas porque simplesmente me esquecia e quando lembrava o prato já estava feio para fotografar. #fail

Aprendi a comer banana da terra cozida no café da manhã e a tomar suco de graviola, que eu nunca liguei muito.

Para finalizar, fui visitar meu pai e meus outros irmãos lá na roça grande, Belo Horizonte.

Estive numa pastelaria que frequentava na época do colégio e me surpreendi com um novo sabor (entre váários outros): doce de leite. Ok, eu sei que tem pastel de doce de leite em tudo quanto é lugar mas lá não tinha antigamente. Então resolvi experimentar, porque sabia que seria melhor do que todos os outros. Dito e feito! Tem um segredo genial, mas eu vou contar num outro post, rsrs!

Passamos um final de semana em Lagoa Santa, cidadezinha simpática que fica perto de BH. Ficamos num sítio que tinha galinhas ciscando por todos os lados, inclusive bebendo água na piscina. Foi aí que eu me lembrei do quanto é bom comer o ovo direto do * da galinha (orgânico, óbvio!). Ah, não tem igual! Ainda vou ter meu próprio galinheiro ou não me chamo Vanessa!

E foi assim que voltei desses dias que foram tipo férias, “só que com fio”.

 

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Quem escreve

Criei este blog em 2007 como quem não quer nada e ele se tornou a melhor coisa que já fiz na vida! Aqui eu compartilho tudo o que sei sobre culinária, conto minhas histórias e ajudo quem precisa das primeiras lições na cozinha.

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  • Cíntia Costa

    Ahhhhhhhhhhhh sabia q n gostava de vc só pelo alto astral e pelo blog… minha família (por parte de pai) também é de Santo Antônio de Jesus e lá foi onde passei as melhores festas de S. João da minha vida… e tb moro no RJ… 🙂 Adoro ler o nome de SAJ escrito assim por outra pessoa hahaha amooo aquele lugar

  • Vanessa Nunes

    Boa, Maylson! Quem cozinha não lava a louça!!

  • Vanessa Nunes

    Ufa, Paula Coelho, que bom que você compartilha dos mesmos problemas que eu!
    Fica tranquila que agora eu sou toda blog! Post é o que não vai mais faltar!
    Beijos!

  • Paula Coelho

    Oi Vanessa,
    Compartilho da sua confusão a respeito dos caprinos…cabra, ovelha, cerneiro, bode, cordeiro…enfim, td isso é mt confuso!!!

    Qto ao queijo de cabra, eu ODEIOOO!!! Nojo sem fim!!! O gosto do queijo é igual ao cheiro das benditas cabrinhas…eca!!! Em junho eu e o marido fomos em Teresópolis e lá tinha um capril lindo e fofo, ms o queijo de cabra…eca, mil vezes eca!!! Marido resolveu comprar um tipo que é temperado. Só de vê-lo comer o famigerado queijo, eu sentia nojo. Resumo da ópera, antes do queijo acabar, o marido já compartilhava do meu nojo e o queijo (que custou caro) estragou na geladeira.

    Antes de sair para comer fora ou antes de cozinhar algo bacana para o marido e para os amigos, penso em tirar fotos, ms na hora H esqueço e qdo lembro, acontece o mesmo que vc, o prato já está destruído…aff!!! rsss

    Bj e não demore para fazer o próximo post…rsss.