Reflexões sobre a Farinha Láctea

O que te leva a comer farinha láctea depois de adulto?

Aliás, é você um adulto? 🙂

Vou te fazer um convite meio louco hoje. Ouça comigo uma música do Coldplay e vamos falar de farinha láctea assim… Sem compromisso!

(Eu disse: aperte o “play”. Vamos refletir sobre farinha ao som da mesma música, “come on”!)

Quem é que já passou dos 12 anos e não gosta ainda de sentir aquele monte de farinha colado no céu da boca, umedecido pela saliva que, bravamente, te ajuda a digerir tanta coisa que vem junto, na mesma colherada? Uma sensação cheia de memórias, que só quem come leite em pó puro também poderia entender. Claro, quem come mingau em dia de chuva deve saber.

Eu até que gosto de comer farinha láctea pura, quando preciso de uma solução rápida para acalmar a criança que berra dentro de mim ou de calar a minha boca por alguns minutos (porque ela cola pra valer), mas é misturada com leite que gosto mais. Tem que ser quente, encorpada mas não muito. E com um pouco de açúcar. A farinha já é doce, se adoçar muito mais, ela pode passar do limite. Em 250 ml de leite quente, duas colheres de sopa bem cheias de farinha láctea, mais uma colher (chá) de açúcar. Misturo e observo ela tomando corpo, enquanto como as primeiras colheradas. Sim, porque farinha láctea grossa se come com colher. Talvez até com umas rodelas de banana.

Anotou a receita?

Mas não tem receita. É uma coisa que ninguém precisa aprender aqui, você concorda comigo? Cada um faz do seu jeito. A minha medida não é a sua medida, enquanto trato a farinha láctea como um alimento do tipo desses que matam a fome da alma.

Sua alma não tem fome? Nossa, que sorte. A minha tem e muita.

Falando da verdade, é porque certas coisas são apreciadas de uma forma diferente por uns e por outros e o preparo é livre, pode ser como for, desde que seja bom para quem quer que seja.

Que seja bom, oras!

Antes que alguém possa aparecer falando que eu estou escrevendo absurdos nutricionais e culinários aqui, eu já vou logo dizendo que este post não tem nenhum compromisso com a realidade. Bem, não com a sua ou com alguma “realidade global” aí. E o que é realidade, hein? Estou falando da minha. Da minha subjetividade, quero dizer. E quando você usa a sua para refletir comigo sobre farinha, já nos tornamos amigos que sorriem com o dente da frente comprometido.

Quem diz que não se pode fazer esse tipo de reflexão em um blog de culinária é alguém que nunca vai entender os cheiros, as cores, as músicas, as sensações dos sabores da vida.

É, hoje eu sentei na frente do computador com um copo de farinha láctea daqueles, comecei a ouvir uma música que me emociona e estou assim, abrindo o meu coração para um monte de pessoas que vão me chamar de louca. Pode soar estranho mas eu adoro essa sensação de liberdade! Uns saltam de pára-quedas, outros mergulham com tubarões e outros escrevem coisas para serem lidas. Uns comem a farinha láctea do filho na calada da noite, outros dão uma colherada cheia e falam “FA-RO-FA” na frente dos amigos. Eu sou dessas.

Quanto criança você é?

Recomendo farinha láctea para quando quiser se sentir livre. Mas não coma muita, porque ela pode te engordar. Isso pode ser a pior das privações.

O anúncio* da Nestlé, em 1883, dizia:

“Todos os meninos alimentados exclusivamente com a Farinha Lactea Nestlé distinguem-se pela sua força física, seu vigor e viveza de seus olhos; andam contentes e quase nunca choram; a digestão é perfeita e a alimentação proveitosa, o que será fácil verificar com balanças a casa semana”.

Para você, que está se preparando para escrever um comentário bravo, procure ter um espírito mais leve… Faça esse exercício: encha a boca com “farinha mágica”, fale “fa-ro-fa” e sorria! Sorria com os dentes sujos, porque não lhe restará nada mas a difícil tarefa de rir de si.

 

*A foto que ilustra o post é um anúncio de 1883 da Nestlé no jornal Estadão, que na época se chamava “A Província de S. Paulo”. (Fonte: Reclames do Estadão)

 

Mostre isso pro mundo:

Quem escreve

Criei este blog em 2007 como quem não quer nada e ele se tornou a melhor coisa que já fiz na vida! Aqui eu compartilho tudo o que sei sobre culinária, conto minhas histórias e ajudo quem precisa das primeiras lições na cozinha.

35 comentários… add one

Leave a Comment