Procura-se alguém que plante flores

Eu tive a sorte de crescer numa casa linda em Juiz de Fora – MG, num bairro cercado por uma reserva florestal de Mata Atlântica e o barulho da cachoeira era normal para mim, mas as visitas pensavam que era chuva! Chuva também tinha e debaixo dela eu nadava com as minhas amigas. Todas as minhas melhores lembranças estão lá, não é à toa que até hoje meus sonhos se passam naquele cenário. Acredite, é verdade.

Da janela do meu quarto eu conversava com uma amiga, que morava na casa depois do terreno vizinho. Bastava um assovio e a outra aparecia logo. Brincávamos na rua: eu, ela e mais muitos amigos que também cresceram nesse lugar mágico. Nossos pais se reuniam em alguma calçada para conversar e quando víamos, a rua estava em festa. Até aparecemos no jornal, certa vez, “a turma da Jamé” – apelido carinhoso que demos para a nossa rua, a Doutor Jamil Altaf.

Meus joelhos ainda guardam as marcas de tantos tombos que levei andando de bicicleta, patins e carrinho de rolimã. Foram incontáveis partidas de queimada, pique-bandeira, pique-esconde (esse renderia um livro…), taco e muitas outras brincadeiras de criança que tem espaço para brincar. Quando um carro despontava lá no alto da rua, alguém gritava: “Olha o carrooo” e as crianças corriam para a calçada.

Lá em casa tinha espaço para todo mundo. Minha família ia inteira passar as festas com a gente, quando não ficavam um pouco mais nas férias. Também reunia as amigas na sala para assistir ao Jason e sua serra elétrica nas sextas-feiras 13. Eram tantos colchonetes que a sala parecia uma enorme cama. Dava muito medo e era bem divertido.

Aliás, dormir em colchonete era uma das coisas que eu mais gostava de fazer com a minha mãe, mas tinha que ser de frente para a lareira em dias frios. Era como sair para acampar, só que dentro de casa. Ah, são infinitas as lembranças de tudo o que fiz com a minha mãe naquele lugar. O que posso dizer, em resumo, é que enchemos aqueles cômodos do amor mais puro e verdadeiro que eu pude conhecer na vida. Isso nenhuma tinta esconde e nenhuma obra derruba, ficou lá.

Eu poderia passar horas, talvez dias contando histórias sobre a minha casa (só em torno da cozinha, já fiz um post enorme), mas chegou a hora de outra família começar a escrever as suas. Ela está à venda e por um preço abaixo do valor de avaliação para que, quem tiver a sorte de poder morar lá, possa deixá-la toda do jeitinho que quiser. A casa vai receber as mudanças de braços abertos, porque acolher é o que ela sempre fez muito bem.

Se você quiser ver o anúncio, ele está aqui.

Enquanto isso, estou de dedos cruzados para que a pessoa certa encontre na minha casa querida o lugar ideal para morar e que não tenha ciúmes por esta ser a minha eterna casa dos sonhos. <3

na janela do quarto

Mostre isso pro mundo:

Quem escreve

Criei este blog em 2007 como quem não quer nada e ele se tornou a melhor coisa que já fiz na vida! Aqui eu compartilho tudo o que sei sobre culinária, conto minhas histórias e ajudo quem precisa das primeiras lições na cozinha.

Comments on this entry are closed.

  • julia nunes

    Por acaso cai aqui nesse blog adorável a procura de outra coisa e me interessei por esse post pelo nome,e achei lindo demais esse pequeno texto eu consegui sentir o quão vc foi feliz nesse lugar eu também vivia em um lugar assim e vc relatando fez eu relembrar la de atrás e como era bom pena que passou mas a lembrança maravilhosa sempre fica.
    Bjuss ate a próxima

  • Wanessa Saint Clair

    Casa muito bonita. Conheço o bairro, é bem tranquilo. Espero que consiga vender a casa. Imagino as lembranças que você tem, afinal não é toda casa que dá de frente para uma cachoeira. Felicidades e boa venda.

  • bm

    Muito bonita a casa. Parece espaçosa… e essa cachoeira é fantástica.

Anterior:

Próximo: