Mas a pizza era crocante…

Sabe quando você pede uma pizza em casa e ela chega com cara de borracha?

Antes de mais nada: se você quiser comer aquela pizza bem fresca, que sai com uma casquinha super crocante e sequinha do forno de pedra da pizzaria, vá até lá. E se, no lugar que você foi, ela não for servida numa superfície porosa como uma pedra ou, sei lá, algum tipo de grade de resfriamento*, coma rápido, enquanto estiver bem quente! Se demorar, vai ficar mole.

Exatamente.

A umidade que escapa das massas quentes, recém-retiradas do forno (todas elas, incluindo o seu pãozinho) precisa “sair fora”, “tomar um rumo” e evaporar ou, ao menos, partir para dentro de outra superfície (como acontece numa pedra porosa). Caso contrário, que é exatamente o que vemos em pizzarias menos bacanas ou restaurantes não especializados que servem pizzas (além de churrasco, strogonoff, moqueca de peixe e comida japonesa), o vapor quente é bloqueado pelo prato e a massa amolece, ficando murcha.

No caso do “delivery“, o caminho que ela percorre até a sua casa, por menor que seja, é fatal. A pizza sai do forno e entra direto numa caixa que, como você já deve estar imaginando, não deixa o vapor de água sair. Mesmo se vier da melhor pizzaria da cidade, a umidade vai alterar a textura da massa e fazer com que ela vá de crocante a borrachuda em menos de 30 minutos (bem menos).

Andei reparando que algumas pizzarias passaram a fazer suas entregas em caixas que têm um furo na tampa, para evitar que as pizzas percam qualidade no caminho. Isso até poderia ajudar um “pouquitozinho”, se não fosse pelo fato de que as caixas são empilhadas para se encaixarem no baulete da moto (aquela caixa para entrega) ou são colocadas em bolsas térmicas, que “seguram” a temperatura e o vapor também. Alguns bauletes são feitos especialmente para entregas de pizzas e possuem compartimentos, tipo gavetas, que reduzem ainda mais a circulação do ar em torno do furo da caixa. O fato é que, com o furo tampado por outra caixa ou não tampado mas dentro de um espaço quente e úmido, as pizzas amolecem de qualquer jeito.

Sem contar que, mesmo com os furos livres, leves e soltos, o vapor ficaria retido sob a massa da pizza, porque não encontraria por onde escapar debaixo dela. Ou seja, quem inventou essas embalagens não foi um gênio.

“Ah, mas eu não gosto de pizza assim, com essa massa fina e crocante. Eu gosto daquelas massas grossas, que são macias. Este post não serve pra mim, sua blogueira idiota.” (Andam me tratando assim.)

Olha, uma coisa é uma massa grossa e macia, outra coisa é uma massa borrachuda. E, pensando bem, eu nem falei “massa fina”, apesar de ter pensado nela desde o início do post, rs! Apesar de estarmos pensando em tipos de pizzas diferentes, o vapor de água que sai da massa recém-retirada do forno, é o mesmo!

Enfim, o que temos em casa são pizzas sempre necessitadas de um “tratamento”.

Como fazer a pizza “murcha” ficar crocante de novo

Você precisa de uma forma furadinha para assar, que hoje em dia é encontrada até nos supermercados. Se tiver uma pedra para assar pizza em casa, parabéns, você nem precisava estar lendo este blog. Aqui é lugar para iniciantes! Mas se tiver sido um presente de casamento que você só está entendendo para que serve agora, coloque para aquecer no forno.

Com o forno bem quente (no caso da pedra, ela demora para esquentar mas precisa estar bem quente também), coloque a pizza para assar mais uns 5 minutos apenas. (Você pode ligar o forno uns 10 minutos depois de fazer seu pedido, que tal?) Pode passar de 5 minutos, abra e verifique com um garfo se a bordinha está crocante.

Agora sim, ela vai sair do forno sequinha de novo.

Outra dica legal para deixar a massa da pizza crocante por baixo é pincelar azeite. Especialmente quando for rechear e assar aquelas massas prontas, que costumam ser bem sem graças, o azeite dá um sabor especial e uma textura que fazem a diferença! Faça isso antes de tudo, claro.

“Ah, mas eu não tenho pincel culinário, posso usar outro pincel?”

Não. O que é da cozinha, é da cozinha, o que não é da cozinha, não é da cozinha. Derrame um fio de azeite em círculo (ou dois: um mais para a borda e outro mais pelo centro da massa) e espalhe com algo limpo, tipo um papel toalha.

Pronto! Agora seus domingos não serão mais os mesmos!

🙂

 

*Grades de resfriamento são usadas exatamente para resfriar bolos, pães, biscoitos, cupcakes etc. Além de possuírem mais buracos do que superfície de apoio (lembre-se que são grades!), seus “pezinhos” as elevam a uma certa altura, permitindo que o ar se mantenha resfriado debaixo dela e que o vapor encontre um caminho para sair e evaporar.
Eu usei esse exemplo mas você nunca vai encontrar uma pizzaria que sirva pizzas em grades de resfriamento. Pelo menos eu nunca vi!

Mostre isso pro mundo:

Quem escreve

Criei este blog em 2007 como quem não quer nada e ele se tornou a melhor coisa que já fiz na vida! Aqui eu compartilho tudo o que sei sobre culinária, conto minhas histórias e ajudo quem precisa das primeiras lições na cozinha.

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  • Paula Coelho

    Oi Vanessa,

    Vc tava mt sumida! Eu entrava sempre no blog, ms nunca tinha novidades. Pensei q vc tivesse nos abandonado!

    Tb adooooro pizza com massa grossa! Odeio aquelas q parecem feitas com pão árabe…hehehehe.

    Tenho uma pedra p/ pizza, ms só usei 1 vezes. Não sabia q elas deveriam ser utilizadas do modo como vc ensinou. Mais uma vez, obrigada pela valiosa dica!

    Bjkas!!!